Alívio no bolso e alerta em Boa Vista: cesta básica cai em 26 capitais mas acumulado do ano supera 12% em Roraima

Inflação recua para 0,07% em julho e volta para meta do governo

Jacildo Bezerra – Da Redação

Apesar da trégua promovida pela safra de inverno e pela deflação do tomate em julho, custo dos alimentos essenciais acumula forte alta no ano em todas as capitais brasileiras.

Os consumidores brasileiros encontraram um raro alívio nos supermercados e feiras livres durante o mês de julho de 2026. Segundo os dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada em parceria entre a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), o custo do conjunto de alimentos essenciais recuou em 26 das 27 capitais brasileiras. A única exceção no país foi São Luís (MA), onde os preços registraram uma leve oscilação positiva de 0,30%.

As reduções mensais mais expressivas foram observadas nas regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, lideradas por Natal (-7,95%), Maceió (-7,87%), Belo Horizonte (-7,44%), Palmas (-7,38%) e Rio de Janeiro (-7,12%). A principal força motriz dessa trégua inflacionária foi o expressivo recuo no preço de itens de grande peso na mesa do brasileiro, como a batata (com quedas de até -31,12% em Brasília) e o tomate (que despencou -51,88% em Maceió), impulsionados pela intensificação da safra de inverno e pelo clima favorável à maturação nos centros produtores.

Na capital de Roraima, Boa Vista, o comportamento do custo de vida seguiu a tendência nacional de arrefecimento no curto prazo, mas revela uma realidade preocupante quando analisado o histórico acumulado de 2026:

  1. Variação Mensal (Junho x Julho/2026): A cesta básica em Boa Vista registrou uma queda de -2,97%, fixando-se no valor de R$ 730,74.
  2. Altas e Baixas em Julho:
    • O que caiu: Tomate (-15,96%), óleo de soja (-4,70%), manteiga (-3,87%), açúcar cristal (-3,00%), banana (-2,32%), café em pó (-2,18%) e farinha de mandioca (-1,41%).
    • O que subiu: Leite integral (6,27% – maior alta do país no mês), feijão carioca (5,25%), carne bovina de primeira (2,10%), arroz agulhinha (2,06%) e pão francês (0,55%).
  3. Acumulado do Ano (Janeiro a Julho/2026): Apesar da queda pontual em julho, Boa Vista acumula uma forte alta de 12,05% no ano. Trata-se da 4ª maior variação acumulada entre todas as 27 capitais do Brasil em 2026, ficando atrás apenas de Porto Velho (15,68%), Fortaleza (13,72%) e Manaus (12,47%).
  4. Principais Vilões em Boa Vista no Ano: No acumulado de 2026, os maiores impactos de alta na capital roraimense foram do tomate (34,88%), feijão carioca (33,00%), leite integral (14,44%), banana (13,71%) e carne bovina de primeira (10,32%).
  5. Acumulado em 12 Meses: Em relação a julho de 2025, o custo da cesta em Boa Vista apresenta alta de 2,51%.

Análise do Cenário Nacional no Ano (Janeiro a Julho de 2026)

O levantamento Conab/DIEESE revela que o alívio pontual de julho não anula a pressão acumulada desde o início do ano. Todas as 27 capitais brasileiras registraram alta nos preços da cesta básica no acumulado de janeiro a julho de 2026, com variações oscilando entre 4,28% (em Campo Grande) e 15,68% (em Porto Velho).

Ranking Selecionado de Custos e Variações Acumuladas (Julho/2026)

CapitalRegiãoValor da Cesta (R$)Variação Mensal (%)Variação no Ano (%)Variação 12 Meses (%)
São PauloSudesteR$ 915,01 (mais cara)-5,23%8,16%5,67%
CuiabáCentro-OesteR$ 881,27-6,04%11,37%8,33%
Porto VelhoNorteR$ 684,83-1,89%15,68% (maior do ano)7,56%
FortalezaNordesteR$ 769,88-6,39%13,72%4,31%
ManausNorteR$ 697,80-4,79%12,47%3,41%
Boa VistaNorteR$ 730,74-2,97%12,05%2,51%
BrasíliaCentro-OesteR$ 747,10-6,71%4,61%-1,46%
AracajuNordesteR$ 594,07 (mais barata)-5,76%10,12%4,49%

Impacto no Salário Mínimo e Jornada de Trabalho

Com o salário mínimo oficial fixado em R$ 1.621,00 (líquido de R$ 1.499,43 após desconto previdenciário de 7,5%):

  • Jornada Média de Trabalho: Em julho, o tempo médio necessário para adquirir os produtos básicos nas 27 capitais foi de 100 horas e 24 minutos, uma melhora em relação às 105 horas e 51 minutos exigidas em junho.
  • Comprometimento do Renda: O trabalhador brasileiro comprometeu, em média, 49,34% da sua renda líquida para comprar a alimentação básica em julho (contra 52,02% em junho).
  • Impacto em Boa Vista: O trabalhador roraimense precisou trabalhar 99 horas e 11 minutos para pagar a cesta, comprometendo 48,73% do seu salário mínimo líquido.
  • Salário Mínimo Necessário: Tomando como referência a cesta mais cara do país (São Paulo, R$ 915,01), o DIEESE calcula que o salário mínimo necessário para suprir as despesas constitucionais de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.687,01 em julho de 2026 — equivalente a 4,74 vezes o salário mínimo vigente.

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