Fenômeno deve influenciar o regime de precipitações durante a estação, com excesso de chuva no Sul e maior irregularidade em áreas do Sudeste, Centro-Oeste e Matopiba
A primavera começa no Brasil no dia 22 de setembro, às 21h05, sob a influência de um El Niño forte, que deve ganhar intensidade nos próximos meses. Para o agronegócio, o ponto de atenção não está apenas no volume acumulado de chuva, mas também em como as precipitações serão distribuídas durante a estação em diferentes regiões produtoras.
“A primavera é um período de grande importância para o agronegócio. Em grande parte das regiões produtoras do país, tem início a semeadura da safra de grãos de verão. Além disso, as chuvas retornam às pastagens em diversas áreas produtoras de carne e leite e ocorre a florada do café, entre outras atividades”, diz Desirée Brandt, sócia-executiva e meteorologista da Nottus.
Segundo a Nottus, empresa de inteligência de dados e consultoria meteorológica para negócios, o cenário traz condições favoráveis para o início da primeira safra em áreas do Sudeste e Centro-Oeste. Por outro lado, exige acompanhamento da regularidade das chuvas e do comportamento do clima ao longo do ciclo agrícola.
A força do El Niño na primavera – O El Niño já está forte no Pacífico equatorial, com temperaturas superiores a 2°C acima da média, e a previsão indica aquecimento adicional nos próximos meses. O último relatório do NOAA aponta que há 98% de probabilidade de o fenômeno atingir nível muito forte ainda em 2026. A Nottus projeta a permanência do El Niño até o outono de 2027.
A intensidade do fenômeno no Pacífico, porém, não determina de forma uniforme o comportamento da chuva no Brasil. No país, os efeitos variam conforme a região e podem incluir excesso de precipitação no Sul, além de maior irregularidade das chuvas em áreas do Sudeste e Centro-Oeste.

Início de safra favorável, com atenção para a safrinha – No Sudeste e no Centro-Oeste, a expectativa é de chuvas que podem superar a média em determinados períodos da primavera. O comportamento favorece o início da primeira safra, com condições de precipitação para culturas como soja e algodão. Porém, caso a estação chuvosa termine mais cedo, o milho de segunda safra pode enfrentar condições menos favoráveis. Por isso, além do volume acumulado, a distribuição das precipitações ao longo do ciclo será determinante para o planejamento das lavouras.
Excesso de chuva no Sul – A previsão indica chuva acima da média e volumes expressivos durante a primavera no Sul. Os maiores acumulados tendem a se concentrar em Santa Catarina e Paraná, que já registram elevados volumes de precipitação. O excesso de chuva pode chegar a localidades de São Paulo e Mato Grosso do Sul, aumentando a atenção nas áreas agrícolas mais ao sul do Sudeste e do Centro-Oeste.
O Rio Grande do Sul também permanece no radar, diante da possibilidade de eventos extremos. A previsão, no entanto, aponta que as chuvas mais intensas devem se concentrar em Santa Catarina e Paraná.
Maior irregularidade no Matopiba e em áreas do Norte – No sentido oposto, o Matopiba, formado por áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e o centro-leste do Pará estão entre as regiões que exigem mais atenção. A previsão é de chuva abaixo da média no Nordeste, no norte de Minas Gerais e em parte do Norte durante novembro. Em áreas do norte de Minas Gerais e de Goiás e no nordeste de Mato Grosso, especialmente no Vale do Araguaia, o cenário não é de ausência de chuva, mas de maior irregularidade em comparação com outras áreas do Sudeste e Centro-Oeste.
Chuva e calor exigem acompanhamento durante a estação – A primavera será marcada por temperaturas elevadas. As ondas de calor mais intensas e duradouras devem se concentrar no Norte e Nordeste, enquanto Sudeste e Centro-Oeste tendem a registrar médias acima do normal, com períodos de calor intenso menos prolongados.
Em novembro, a previsão indica chuva forte e risco de eventos extremos entre o Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul, enquanto as precipitações se espalham pelo Sudeste, Centro-Oeste, Acre, Rondônia e Amazonas. Em dezembro, o El Niño permanece atuante, mantendo as condições para chuvas e ventos fortes no Sul e nas áreas mais ao sul do Sudeste e do Centro-Oeste.
Para o agronegócio, o cenário reforça a necessidade de acompanhar a distribuição das chuvas durante toda a estação, considerando as características de cada região e o estágio das culturas. A evolução das condições meteorológicas pode interferir nas diferentes etapas das próximas safras, desde o início do plantio até o desenvolvimento das lavouras.
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