Meteorologia indica que aumento de temperatura e umidade na primavera trarão impacto positivo para o setor elétrico e a agricultura 

Fenômeno La Niña se forma entre outubro e dezembro; previsão meteorológica favorece abastecimento de reservatórios e plantio da safra 2025/26 nos próximos meses

A primavera começa oficialmente na próxima segunda-feira (22), às 15h19 (horário de Brasília), marcando a transição do inverno para o verão no Brasil. O período deve trazer aumento de temperatura e umidade, o que favorece a formação de áreas de instabilidade típicas da estação. A expectativa é de condições positivas para o setor elétrico e para a agricultura, segundo análise da Nottus, empresa de inteligência de dados e consultoria meteorológica para negócios.

“O mês de setembro iniciou com pouca chuva em boa parte do país, com maior concentração no Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo, observamos a evolução gradual das instabilidades na Amazônia, o que é típico da transição para o período úmido. Nos próximos dias, sistemas frontais alimentados por essa umidade devem trazer os primeiros episódios de chuva ao Sudeste e Centro-Oeste”, avalia Desirée Brandt, sócia-executiva e meteorologista da Nottus.

Segundo a especialista, a primavera deve começar com episódios de frio, mas com menor intensidade do que as ondas observadas no último inverno. As temperaturas tendem a se elevar com mais facilidade, o que é habitual para essa época do ano, sem risco de ondas de calor persistentes.

Evolução do La Niña – A condição do Oceano Pacífico merece atenção neste ano. O resfriamento da região central equatorial já indica a formação do fenômeno La Niña, que deve seguir até o início de 2026. Para essa confirmação oficial, a anomalia negativa precisa se manter por ao menos três trimestres móveis consecutivos. Pelo CPC-NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), a probabilidade de ocorrer o La Niña de outubro a dezembro é de 71%, e pode persistir até o início de 2026.

El Nino is the warm phase of the El Nino La Nina Southern Oscillation (ENSO) that occurs across the tropical Pacific Ocean roughly every five years. The ENSO affects weather systems across the world, bringing extreme weather such as floods and droughts. El Nino generally causes drier conditions in Australia and South-East Asia, and wetter and warmer conditions in the Americas.

Chuva nos próximos meses – De acordo com o Modelo Europeu (ECMWF), outubro deve marcar o início efetivo do período úmido nas áreas centrais do país. Em novembro, as precipitações tendem a se intensificar no eixo Sudeste-Norte, com a expectativa de volumes acima da média em boa parte do território. Em dezembro, o cenário úmido se consolida, com acumulados expressivos desde o Sudeste até a região Norte do país, além de registros importantes no Sul.

Reservatórios em recuperação – Para o setor elétrico, a previsão para a nova estação é considerada favorável. Apesar da influência do La Niña, não há risco de estiagem prolongada no Sul. A previsão é de chuvas próximas ou acima da média nas bacias do Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, o que deve assegurar a recuperação das vazões e reservatórios do país.

“Nos próximos meses, a geração eólica e solar tende a perder força, mas a retomada das chuvas deve compensar essa redução. Esse equilíbrio é essencial para garantir a segurança do abastecimento energético no Brasil”, afirma Alexandre Nascimento, sócio-diretor da Nottus.

Semeadura escalonada, sem atrasos – Na agricultura, a previsão também é positiva. A chuva deve evoluir gradativamente pelas áreas produtoras, começando pelo Sul, passando pelo Cerrado e até chegar no Matopiba, que compreende áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e da Bahia. Esse cenário permitirá que o plantio da produção da safra de grãos, especialmente, soja e milho de verão 2025/26 ocorra de forma gradual, mas dentro do calendário previsto.

“A chuva evolui de forma gradual pelas áreas produtoras, o que pode levar a uma semeadura de forma escalonada. O plantio deve avançar conforme a chuva evolui, sem grandes atrasos”, complementa Brandt.

Entre outubro e dezembro, as precipitações devem se intensificar no centro e norte do país, favorecendo culturas como soja e milho da primeira safra. O excesso de chuva, em alguns momentos, pode aumentar o risco de pragas e doenças fúngicas. Nesse cenário, a Nottus recomenda acompanhamento constante das previsões climáticas para orientar manejos e aplicações.

Fonte: Nottus Consultoria

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