Guerra no Oriente Médio aumenta custo com transporte para mais de metade das indústrias

Guerra no Oriente Médio aumenta custo com transporte para mais de metade das indústrias

Custos com transporte de mercadorias subiram para 95% das empresas consultadas. Conflito entre EUA e Irã provocou choque nos preços internacionais do petróleo

Um levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta segunda-feira (15), mostra que os custos com transporte de mercadorias — frete, seguro e logística associada — aumentaram para 95% das empresas industriais consultadas no 1º trimestre de 2026 em relação ao 4º trimestre de 2025. Mais de metade (52%) dessas empresas afirmam que a alta nos gastos com transporte está fortemente associada à guerra no Oriente Médio, que provocou choque nos preços internacionais do petróleo e de outros insumos estratégicos para a indústria brasileira.

“Em algum momento as empresas vão ter que repassar o aumento dos custos. O impacto na economia será sentido em breve, com uma inflação um pouco mais alta e menor poder de compra do consumidor. Do lado das empresas, há perda de competitividade, principalmente das indústrias exportadoras, pois os produtos começam a ficar mais caros em relação a concorrentes de outros países”, avalia Rafael Sales Rios, especialista em Políticas e Indústria da CNI.

A pesquisa mostra que, além de disseminado, o aumento de custos foi intenso para a maior parte das empresas: 56% das indústrias consultadas classificaram como forte o gasto com transporte de produtos. Entre as empresas exportadoras, o percentual sobe para 59%. Entre as importadoras, a percepção de forte encarecimento do transporte de mercadorias no 1º trimestre foi apontada por 61% das empresas participantes.

A associação entre a guerra no Oriente Médio e a disparada nos custos com transporte de mercadorias é ainda maior entre as empresas que atuam no mercado internacional. Para 60% das indústrias exportadoras consultadas, o aumento dos custos está fortemente associado ao conflito entre Estados Unidos e Irã. Entre as indústrias importadoras, o percentual sobe para 62%.

Para 54% das empresas consultadas, as medidas do governo para atenuar os custos com transporte, serão pouco eficazes para reduzir os custos com transporte de mercadorias nos próximos meses, enquanto 16% classificam as ações como ineficazes. Outros 27% acreditam em eficácia moderada e apenas 3% consideram que as medidas serão efetivas.

Medidas do governo terão alcance limitado

Segundo os empresários, as medidas do governo para atenuar o aumento dos custos, como a subvenção ao diesel e a suspensão temporária de tributos federais sobre os combustíveis, terão alcance limitado. Para 54% das empresas consultadas, as medidas serão pouco eficazes para reduzir os custos com transporte de mercadorias nos próximos meses, enquanto 16% classificam as ações como ineficazes. Outros 27% acreditam em eficácia moderada e 3% consideram que as medidas serão efetivas.

“Os empresários acreditam que essas medidas podem ter pouco efeito por conta do não repasse desse benefício para a frente, chegando até o posto e o consumidor final. Por isso, eles alertaram bastante sobre a necessidade de uma fiscalização maior sobre o setor para que isso seja efetivo e que os custos sejam mitigados no tempo”, aponta o economista.

Custos subiram em todos os modais de transporte

Os entrevistados apontaram que o aumento dos custos com transporte foi generalizado, atingindo intensamente modais nos mercados doméstico e internacional.

  • 4 em cada 10 empresas apontaram forte aumento nos gastos com transporte marítimo nacional;
  • 5 em cada 10 empresas relataram forte aumento nos custos com transporte marítimo internacional;
  • 5 em cada 10 empresas apontaram forte aumento nos gastos com transporte rodoviário nacional;
  • 4 em cada 10 empresas indicaram forte aumento nos custos com transporte rodoviário internacional.

Tributação também é apontada como vilã

Além do conflito no Oriente Médio, fatores como a tributação sobre o setor (36%), fornecedores ou serviços logísticos (26%), fiscalização ou regulação do transporte (25%) e mão de obra (24%) foram apontados como determinantes para o aumento dos custos no período.

Sobre a Consulta Empresarial

A CNI consultou 145 empresas de todos os portes (pequenas, médias e grandes), de 31 setores da indústria e distribuídas por todas as macrorregiões do país, entre 16 de abril e 5 de maio.

Agência de Notícias da Indústria

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