Gestão empresarial com estrutura de preparação e protocolos de resposta podem reduzir impactos de embargos comerciais e oscilações de mercado
Por André Paranhos – Falconi Consultoria
A União Europeia (UE) iniciou nesta quinta-feira (3) a suspensão das importações de produtos de origem animal brasileiros, incluindo carne bovina, suína, frango, mel e ovos para as 27 nações do bloco econômico. A decisão foi baseada na avaliação de que o controle brasileiro sobre o uso de antimicrobianos na pecuária é insuficiente.
A medida pode ser revertida a depender de negociações entre a UE e o governo brasileiro. Nesta semana, auditorias estão sendo realizadas nas cadeias de produção de frango e mel, com resultado esperado em cerca de dois meses. Segundo dados do Agrostat (Ministério da Agricultura e Pecuária), em 2025, a UE importou do Brasil carnes bovinas no valor de US$ 1,048 bilhão, frango por US$ 762 milhões, além de cerca de US$ 9,6 milhões de mel, carne suína e ovos, somados.
O embargo representa um desafio significativo para o agronegócio brasileiro, que já enfrenta pressões em múltiplas frentes. Para Andre Paranhos, vice-presidente da unidade de negócios da Falconi especializada em Agronegócio e Indústria de Consumo, eventos como este evidenciam uma vulnerabilidade estrutural do setor que vai além de questões comerciais pontuais.
“O agronegócio opera sob pressão constante, com margens apertadas e exigências logísticas e sanitárias crescentes. Quando surgem eventos como esse embargo, fica claro que estar preparado para lidar com imprevistos não pode ser um diferencial. Gestão de crise precisa ser parte central da estratégia de negócio“, afirma Paranhos.
O embargo se soma a pressões que o setor já enfrenta, desde oscilações de mercado até desafios climáticos e sanitários. Eventos como esse ilustram como fatores externos podem comprometer rapidamente a continuidade operacional, tornando essencial uma preparação prévia.
Segundo Paranhos, crises como essas podem ter impactos reduzidos com uma abordagem estruturada. O especialista destaca que uma gestão de riscos eficiente envolve evitar os “três Ds”: descuido, desleixo e desconhecimento. Para isso, recomenda um olhar holístico sobre possíveis vulnerabilidades na cadeia produtiva.
Entre as estratégias apontadas estão o mapeamento de riscos ao longo da cadeia de carnes, desde os critérios sanitários exigidos pelos principais mercados importadores até a dependência de poucos destinos para exportação. Também é essencial contar com protocolos de resposta estruturados, com responsabilidades bem definidas e fluxos de comunicação claros para conter problemas com agilidade.
“Investimento em tecnologia e monitoramento contínuo é fundamental. Ferramentas de rastreabilidade, conformidade com exigências sanitárias internacionais e análises de dados ajudam a identificar vulnerabilidades antes que se tornem problemas. Mas isso só funciona se as equipes estão preparadas para agir com rapidez e precisão“, completa Paranhos.
A questão também toca em eficiência operacional. Muitas empresas do setor tendem a investir em expansão durante períodos de bonança, sem avaliar criticamente se esses gastos trarão retorno. Quando crises surgem, essas companhias enfrentam margens ainda mais apertadas, prejudicando a resiliência.
Para Andre Paranhos, a solução passa pela profissionalização da gestão. “Produtores que integram planejamento, gestão de risco, tecnologia de dados e conhecimento prático têm mais capacidade de adaptação. O Brasil é referência em produção de qualidade, mas o agronegócio precisa encarar esses desafios com inovação e estrutura, não apenas reagir quando a crise já está instalada” conclui o VP da Falconi.
Falconi Consultoria













