Jacildo Bezerra – Da Redação
Tomate puxa alta e reforça pressão sobre o orçamento das famílias roraimenses
Boa Vista – O custo da cesta básica de alimentos em Boa Vista registrou nova alta em abril de 2026. Segundo dados da pesquisa publicada pela Secretaria de Planejamento do Estado, o valor passou de R$ 625,17 em março para R$ 643,43 no mês passado, o que representa um aumento de R$ 18,26, ou 2,92% em apenas um mês. A elevação mantém a pressão sobre o orçamento alimentar das famílias da capital roraimense.
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O tomate foi o principal responsável pela alta. O produto registrou variação positiva de 11,67% no mês, configurando-se como o item de maior impacto no custo agregado da cesta. Outros produtos que também contribuíram para o encarecimento foram o feijão (+6,68%) e a banana (+5,97%).
Em contrapartida, alguns itens apresentaram redução de preço, amenizando parcialmente o avanço do custo total. Destacam-se as quedas na farinha de trigo (-2,87%), manteiga (-1,84%) e óleo de soja (-1,23%).
A forte valorização do tomate não é exclusiva de Roraima. Em âmbito nacional, o produto acumula alta de 45,4% no ano, conforme o IPCA. Nos principais centros atacadistas monitorados pelo Cepea, os preços da caixa de 20 kg dispararam na última semana de abril: R$ 138,13 em São Paulo (+38,7%), R$ 150,71 em Campinas (+27,9%), R$ 129,41 no Rio de Janeiro (+16,3%) e R$ 122,31 em Belo Horizonte (+18,4%).
A menor oferta, provocada pela desaceleração da safra de verão e pelo início ainda tímido da safra de inverno, com baixa produtividade, explica o movimento. Regiões tradicionais, como Caçador (SC), estão encerrando a temporada, enquanto novas áreas, como Sumaré (SP), ainda não conseguem equilibrar o mercado. O cenário reforça a tradicional volatilidade do tomate e seu impacto direto no custo de vida das famílias brasileiras.
Grande variação de preços entre estabelecimentos
A pesquisa também revela significativa dispersão de preços nos estabelecimentos comerciais de Boa Vista. Itens como farinha, mandioca, tomate, arroz e pão apresentaram diferenças elevadas entre o valor mínimo e máximo praticado. No caso da carne, a diferença chegou a R$ 22,01 por quilo, demonstrando heterogeneidade na formação de preços no varejo local.
Essa variação sugere que fatores como localização, logística de abastecimento, estrutura de custos e estratégias comerciais dos estabelecimentos influenciam diretamente o valor final pago pelo consumidor. Para famílias com menor mobilidade ou acesso restrito a pontos mais baratos, o impacto da alta da cesta básica tende a ser ainda mais severo.
Desigualdades intraurbanas
A Tabela por zona territorial evidencia desigualdades no acesso a alimentos básicos dentro da própria capital. Em abril, o custo da cesta variou de R$ 621,15 na Zona 8 (menor valor) até R$ 672,40 na Zona 1 (maior valor), uma diferença de R$ 51,26 entre as áreas mais caras e mais baratas.
Zonas 1, 2, 3 e 7 registraram custos acima da média municipal, enquanto Zonas 4, 5, 6 e 8 apresentaram valores relativamente menores. O resultado confirma a permanência de disparidades intraurbanas relacionadas à estrutura de oferta e ao perfil comercial de cada região da cidade.
Em abril de 2026, a cesta básica de Boa Vista voltou a encarecer, impulsionada principalmente pela disparada no preço do tomate. Apesar de quedas pontuais em alguns produtos, a pressão altista prevaleceu, elevando o custo agregado em 2,92%. A combinação de fatores nacionais de oferta com a dispersão local de preços e as desigualdades territoriais reforça o desafio enfrentado pelas famílias roraimenses para manter o acesso a alimentos essenciais.














