Novo corte de 0,25 ponto tem efeito limitado sobre o custo do crédito do setor, pressionado por longo ciclo de aperto monetário
O Copom decidiu, mais uma vez, ajustar a taxa básica de juros, agora em 13,75% ao ano, movimento que analistas do mercado financeiro leem como calibragem pontual dentro de um cenário monetário que segue restritivo, sem sinais de alívio mais amplo para o agronegócio brasileiro.
Para Amanda Coura, fundadora da consultoria Zera, o corte não muda o quadro de fundo. Segundo ela, a curva futura de juros segue precificando taxas altas para os próximos anos, refletindo incertezas econômicas e, sobretudo, a falta de sinais mais consistentes de compromisso fiscal e estabilização da dívida pública.
Na prática, o alívio proporcionado pela decisão é pequeno diante do estoque de dívida das empresas do setor. Numa dívida de R$ 100 milhões indexada ao CDI, a redução de 0,25 ponto diminui o custo financeiro em cerca de R$ 250 mil por ano, equivalente a uma queda de aproximadamente 1,8% na despesa anual com juros considerando apenas a taxa-base. Como parte relevante das captações soma spread ao CDI, o impacto proporcional sobre o custo total da operação tende a ser ainda menor.
O maior desafio, na avaliação de Coura, está no efeito acumulado de um período extenso de custo elevado do dinheiro sobre o mercado de crédito como um todo. Empresas e produtores vêm renovando dívidas antigas a taxas sucessivamente mais altas, o que amplia as despesas financeiras e consome parcela crescente da geração de caixa. Combinado a uma atividade econômica mais fraca e a receitas com menor fôlego de expansão, esse quadro pressiona margens, liquidez e capacidade de pagamento das empresas endividadas.
No agronegócio, a dinâmica se repete com intensidade adicional. Setor intensivo em capital, com ciclos longos de produção e naturalmente exposto a oscilações de preços agrícolas, produtividade e clima, o agro tende a sentir de forma mais aguda a combinação entre um ciclo de mercado adverso e despesas financeiras elevadas. “A gestão de riscos, o planejamento dos vencimentos e a manutenção de uma posição robusta de caixa tornam-se indispensáveis”, resume a fundadora da Zera.
O corte de 0,25 ponto oferece, segundo ela, um respiro marginal. Mas o custo do crédito no agronegócio brasileiro segue distante de um patamar confortável.











