Jacildo Bezerra – Da Redação
As informações constam da Pesquisa Mensal da Cesta Básica apresentada pela SEPLAN
A cesta básica de alimentos em Boa Vista registrou leve alta em janeiro de 2026, passando de R$ 597,23 em dezembro de 2025 para R$ 603,18, o que representa um aumento de1,0% no mês — equivalente a um acréscimo de R$ 5,95 no orçamento mensal das famílias roraimenses.
De acordo com levantamento realizado pela Secretaria de Planejamento de Roraima (Seplan), o resultado reflete um comportamento heterogêneo entre os itens que compõem a cesta. Embora vários produtos tenham apresentado quedas de preço, o impacto foi superado principalmente pela forte alta no valor do tomate, que subiu 10,5% e se tornou o principal fator de pressão sobre o custo total.
Outros itens que registraram aumento foram a mandioca (+3,0%), o café (+2,5%), o feijão (+1,6%), o pão (+0,8%) e o leite (+0,5%). Em sentido oposto, ajudaram a conter o avanço geral do custo produtos como o arroz (-3,5%), a manteiga (-2,9%), a farinha (-2,2%), a carne (-2,0%) e o frango (-1,5%).
O salto expressivo no preço do tomate tem explicação principal no mercado nacional de hortifrúti. Relatórios do setor agrícola indicam que condições climáticas adversas — com combinação de chuvas frequentes e calor excessivo nas principais regiões produtoras do país — reduziram a oferta e prejudicaram a qualidade dos frutos. Esse cenário gerou aumento nas cotações dos atacados em praças importantes, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, repercutindo diretamente nos preços ao consumidor final em Boa Vista.
A pesquisa também revelou grande dispersão de preços entre os estabelecimentos comerciais da capital roraimense. Itens como tomate, carne, mandioca, farinha e pão apresentaram diferenças significativas entre o valor máximo e o mínimo observado, com destaque para o tomate, cuja variação entre o preço mais alto e o mais baixo chegou a R$ 7,99 por quilo.
Essa heterogeneidade aponta que, além das pressões de oferta nacional, fatores locais — como localização dos pontos de venda, logística de abastecimento, estrutura de custos e estratégias comerciais dos supermercados — influenciam o valor final pago pelas famílias. Para consumidores com menor mobilidade ou acesso limitado a opções mais baratas, o impacto do aumento pode ser ainda mais significativo.
Em resumo, a elevação de 1% no custo da cesta básica em Boa Vista no início de 2026 foi impulsionada principalmente por um choque concentrado no preço do tomate, decorrente de problemas climáticos que afetaram a produção em escala nacional. As quedas registradas em produtos de grande peso no orçamento familiar, como arroz, carne e frango, conseguiram apenas amenizar parcialmente o efeito das altas.
Em nível nacional o DIEESE e a Companhia Nacional de Abastecimento, apontaram que Em janeiro de 2026, o custo da cesta básica aumentou em 24 das 27 capitais brasileiras, marcando uma reversão na tendência de queda. São Paulo registrou a cesta mais cara, enquanto o tempo médio de trabalho para comprá-la ficou em 93 horas e 47 minutos, com o tomate e a carne bovina apresentando altas expressivas.
Foto: Tânia Rego / Agência Brasil














