No mês de fevereiro, o custo médio da cesta básica subiu em 14 das 17 capitais brasileiras que são analisadas pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Jacildo Bezerra – Da Redação
A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pela Conab em parceria com o Dieese, revelou que o custo dos alimentos essenciais aumentou em **14 das 27 capitais** pesquisadas em fevereiro de 2026. As maiores altas ocorreram em Natal (3,52%), João Pessoa (2,03%), Recife (1,98%), Maceió (1,87%) e Vitória (1,79%). Em contrapartida, 13 capitais registraram queda, com destaque para Brasília (-1,92%) e Natal no comparativo anual.
Em Boa Vista, capital de Roraima, a cesta básica teve alta de 0,52% em relação a janeiro, passando a custar R$ 659,19. Embora não seja a maior variação do país, o reajuste é significativo para a região Norte, que tem histórico de preços elevados por causa da logística e da sazonalidade amazônica.
Entre os 12 produtos que compõem a cesta em Boa Vista, cinco registraram aumento de preço: banana (6,44%), leite integral (1,91%), carne bovina de primeira (0,94%), pão francês (0,55%) e tomate (0,11%). As quedas mais expressivas foram observadas no óleo de soja (-7,05%), farinha de mandioca (-5,91%), arroz agulhinha (-2,60%), feijão carioca (-2,41%), café em pó (-1,94%) e manteiga (-0,52%).
No acumulado dos dois primeiros meses de 2026, a cesta em Boa Vista subiu 1,08%. No entanto, na comparação mais longa (abril/2025 a fevereiro/2026), ainda acumula redução de 8,33%, reflexo da estabilização de alguns itens após o início da nova coleta na capital roraimense.
Com o salário mínimo de R$ 1.621,00, o trabalhador boa-vistense precisou de 89 horas e 28 minutos de trabalho para comprar a cesta básica em fevereiro — o equivalente a mais de 11 dias de jornada. Após o desconto de 7,5% da Previdência Social, o gasto com alimentação comprometeu 43,96% da renda líquida do trabalhador.
O relatório Conab/Dieese reforça que, apesar da leve alta em Boa Vista, o custo da cesta na capital roraimense continua entre os mais baixos do país, ficando atrás apenas de Aracaju (R$ 562,88) e Porto Velho (R$ 601,69). Ainda assim, o Dieese estima que o salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.164,94 — ou 4,42 vezes o valor atual.
Os dados servem de alerta para o poder público em Roraima, especialmente no planejamento de políticas de segurança alimentar e abastecimento, diante das dificuldades logísticas que afetam o Norte do país.













