Crédito com recursos do BNDES para instituições cooperativas soma R$ 99,5 bi entre 2023 e 2025

Volume é 159,49% maior que o repasse feito entre 2019 e 2022 (R$ 38,3 bilhões); nos últimos três anos, o repasse a MPMEs cresceu 155%, alcançando R$ 97,5 bilhões

O volume de crédito com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) repassados por bancos cooperativos e cooperativas de crédito alcançou R$ 99,5 bilhões entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025. O montante é 159,49% maior que os repasses feitos pelo Banco entre 2019 e 2022, quando o valor foi de R$ 38,3 bilhões.

Nos últimos três anos, o crédito aprovado pelas instituições cooperativas para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) cresceu 155%, alcançando R$ 97,5 bilhões. Entre 2019 e 2022, o montante aprovado foi de R$ 38,2 bilhões.
 
O crescimento também foi expressivo em todos os setores da economia. Na agropecuária, foram aprovados R$ 74,2 bilhões em crédito, acima dos R$ 30,5 bilhões no período entre 2019 e 2022. No setor de comércio e serviços, foram R$ 20,5 bilhões entre 2023 e 2025 (R$ 6,5 bilhões entre 2019 e 2022). Para a indústria da transformação, R$ 4,5 bilhões (R$ 1,1 bilhão entre 2019 e 2022) e para a indústria extrativa, foram aprovados R$ 267,6 milhões (R$ 39,8 milhões na gestão anterior).

“As cooperativas de crédito e os bancos cooperativos cumprem um papel estratégico na democratização do acesso ao crédito no Brasil. Ao estarem presentes onde muitas vezes o sistema financeiro tradicional não chega, especialmente em pequenos municípios e regiões rurais, essas instituições fortalecem o empreendedorismo local, apoiam micro, pequenas e médias empresas e impulsionam a geração de emprego e renda. Mais do que ofertar crédito, o cooperativismo financeiro promove inclusão, educação financeira e desenvolvimento econômico sustentável, distribuindo oportunidades e consolidando um crescimento mais equilibrado para o país, prioridade do governo do presidente Lula”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
 
Distribuição regional – Em todas as regiões do país, houve crescimento na aprovação de operações no triênio 2023-2025. Para o Nordeste, R$ 1,9 bilhão (R$ 309,2 milhões entre 2019 e 2022). Para empresas da região Norte, foram aprovados R$ 4,3 bilhões (R$ 1,2 bilhão entre 2019 e 2022). No Sudeste, R$ 20,4 bilhões (R$ 2,9 bilhões), no Sul, R$ 55 bilhões (R$ 27,5 bilhões), e no Centro-Oeste, R$ 17,7 bilhões (acima dos R$ 6,4 bilhões entre 2019 e 2022).

Para a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, os dados refletem a maturidade e a relevância estratégica do cooperativismo financeiro no apoio às políticas públicas de desenvolvimento. “Esse crescimento expressivo mostra que o cooperativismo financeiro se consolidou como um dos principais canais de repasse dos recursos do BNDES, combinando escala, capilaridade e proximidade com o tomador final do crédito. As cooperativas conhecem a realidade local, avaliam melhor o risco e conseguem transformar financiamento em investimento produtivo, geração de renda e desenvolvimento regional”, afirma.

“Os números confirmam que o cooperativismo financeiro é um instrumento robusto de inclusão produtiva e desenvolvimento sustentável. Ao ampliar o acesso ao crédito em todas as regiões e para diferentes setores da economia, as cooperativas contribuem para fortalecer negócios, reduzir desigualdades regionais e impulsionar o crescimento de forma mais equilibrada e duradoura”, acrescenta Tania Zanella ao destacar o papel estrutural das cooperativas financeiras para o crescimento do Brasil. 

Segundo o presidente da Cresol Confederação, Cledir Assisio, a relação do cooperativismo brasileiro com o BNDES tem se mostrado como um importante e estratégico vetor de desenvolvimento e fortalecimento da economia em diferentes regiões do nosso país. “Ao realizarmos uma avaliação da parceria do Sistema Cresol com o BNDES que vem sendo construída a quase três décadas, podemos afirmar que são incontáveis as histórias de famílias, empresas, pessoas que transformaram sua condição econômica e social a partir desta relação estratégica. Nos cabe agradecer imensamente ao BNDES por acreditar no cooperativismo, nos dando a oportunidade de construirmos uma linda história de sucesso por meio da cooperação entre BNDES, Cresol e o mutuário final que é o foco principal de nossas ações.”

“Conhecer de perto a realidade e as necessidades dos empreendedores e produtores rurais é um grande diferencial do Sicredi e do cooperativismo.  A partir disso, a parceria com o BNDES tem sido fundamental para que façamos os recursos chegarem a quem mais precisa, gerando desenvolvimento econômico e social”, afirma Gustavo Freitas, diretor executivo de Crédito e Segmentos do Sicredi.

Para o diretor de coordenação sistêmica, sustentabilidade e relações institucionais do Sicoob, Ênio Meinen, as cooperativas, historicamente, dadas as suas características, sobretudo a finalidade não lucrativa e o seu compromisso com a justiça financeira, operam com um spread médio de 1% ao ano abaixo do praticado pelos bancos comerciais. “Lembrando que 1% ao ano significa 25% do spread médio total. Para além disso, ao lado da inclusão de empreendedores de comunidades remotas, os prazos concedidos pelas cooperativas nas operações com os cooperados têm em média 12 meses (ou seja, 1 ano) a mais do que os facultados pelos outros agentes aos seus clientes.”

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