Indústria paulista encerra 2025 com ano positivo mas desafios estruturais devem reverter expansão em 2026

Levantamento de Conjuntura indica crescimento nas vendas reais e nas horas trabalhadas na produção, mas alerta que alta taxa de juros, dificuldade de contratação mão de obra qualificada e cenário externo incerto podem prejudicar o desempenho do setor

A indústria de transformação paulista encerrou o ano de 2025 com um balanço positivo, embora o ritmo de atividade tenha dado sinais claros de fadiga no último trimestre. No acumulado de 12 meses, as vendas reais do setor avançaram 2,3% — um desempenho superior ao registrado em 2024 (+0,7%) — acompanhadas por uma alta de 0,7% nas horas trabalhadas na produção. No entanto, esse crescimento foi acompanhado por uma retração de 0,5% nos salários reais médios, sinalizando uma acomodação na renda após anos de ganhos consecutivos.

Apesar do fechamento anual favorável, os dados de dezembro acenderam um sinal de alerta para a gestão das empresas. As vendas reais sofreram uma queda mensal de 3,9%, enquanto as horas trabalhadas recuaram 1,3%. O indicador mais crítico do período foi o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI), que despencou de 79,1% para 74,8%. Essa ociosidade crescente, somada ao impacto de eventos climáticos atípicos que afetaram setores como o automobilístico no quarto trimestre, reforça a percepção de uma perda de tração econômica.

Para 2026, o cenário projetado é de desafios estruturais que devem reverter expansão observada no último ano. A Fiesp estima uma queda de 0,9% na produção da indústria de transformação nacional, justificada pela persistência das altas taxas de juros, incertezas no mercado externo e a crescente dificuldade do empresariado em contratar e reter mão de obra qualificada. O movimento de desaceleração observado no final de 2025 sugere que o setor entra no novo ano com uma margem de manobra mais estreita, exigindo maior foco em produtividade e eficiência operacional.

Variação mensal

As vendas reais da indústria de São Paulo sofreram queda de 3,9% no mês de dezembro, resultado que compensa em parte, a alta observada no mês anterior (+3,6%).

Série recente da variação mensal das Vendas Reais (%)

Na mesma linha, as horas trabalhadas na produção caíram 1,3%, após um crescimento de 1,2% em novembro.

Série recente da variação mensal das Horas Trabalhadas na Produção (%)

Os salários reais médios tiveram duas altas expressivas consecutivas de 1,9% e 1,8% entre novembro e dezembro, respectivamente. Tais movimentos ocorrem após quatro meses ininterruptos de redução no indicador.

Série recente da variação mensal dos Salários Reais Médios (%)

Já o NUCI – Nível de Utilização da Capacidade Instalada apresentou a maior variação negativa, ao passar de 79,1% para 74,8% na leitura atual (-4,3 p.p.).

Série recente do NUCI (%)

Todos os dados contam com ajuste sazonal. 

Variação trimestral

As vendas reais da indústria de São Paulo sofreram forte redução na comparação entre o 4º trimestre e o 3º trimestre de 2025 (-9,8%). O resultado foi impactado principalmente pelo dado apurado no mês de outubro (-10,5%) com influência do evento climático atípico (vendaval) ocorrido ao final de setembro e impactando o setor automobilístico do estado no mês seguinte.

As horas trabalhadas na produção ficaram levemente positivas (+0,1%) no período, enquanto os salários reais médios avançaram 0,7%.

Todos os dados contam com ajuste sazonal.

Variação acumulada em 12 meses

Em 2025, as vendas reais da manufatura paulista avançaram 2,3%, dado superior ao registrado no ano de 2024 (+0,7%). No entanto, o movimento do acumulado em 12 meses (gráfico abaixo) mostra que há forte redução do ritmo de crescimento das vendas do setor, indicando que o ano de 2026 será menos promissor para o setor industrial.

Série da variação acumulada em 12 meses das Vendas Reais (%)

As horas trabalhadas na produção encerraram o ano de 2025 com alta de 0,7%, dado inferior ao observado no ano anterior, quando o crescimento foi de 1,9%. O resultado evidencia a dificuldade do país em crescer sua produtividade de forma consistente durante os anos.

Série da variação acumulada em 12 meses das Horas Trabalhadas na Produção (%)

Por fim, os salários reais médios tiveram retração de 0,5% no ano de 2025, dado que indica uma acomodação do indicador frente aos anos imediatamente anteriores, aos quais ocorreram crescimento deste componente (2022: +1,2%, 2023: + 0,7% e 2024: +1,1%).

Série da variação acumulada em 12 meses dos Salários Reais Médios (%)

Os dados acumulados no ano não contam com tratamento sazonal.

Análise Fiesp

O ano de 2025 encerrou de forma positiva para a indústria de transformação paulista, com crescimentos nas vendas reais (+2,3%) e nas horas trabalhadas na produção (+0,7%), apesar da retração dos salários reais médios (-0,5%).

No entanto, o ritmo de crescimento dos indicadores é um ponto de atenção, já que evidencia uma forte desaceleração no setor. Desafios como a elevada taxa de juros, a queda na demanda pelos produtos manufaturados, o cenário externo incerto e a complexidade em contratar e reter mão de obra qualificada, tendem a corroborar com a desaceleração e o diagnóstico negativo para o ano de 2026.

A FIESP projeta uma queda de 0,9% na produção da indústria de transformação do país em 2026.

Os dados da pesquisa, por variável, podem ser verificados abaixo:

O Levantamento de Conjuntura da Fiesp é uma pesquisa quantitativa mensal, iniciada em 1975, que monitora a evolução da atividade da indústria de transformação no estado de São Paulo. Analisa componentes como vendas, emprego e horas trabalhadas, servindo como termômetro fundamental para entender a saúde econômica, produtividade e o panorama da produção industrial paulista e brasileira.

Para consultar a apresentação do Levantamento de Conjuntura do mês ou as séries históricas, consulte o site

Federação das Indústrias de SP

Foto: Everton Amaro – FIESP

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