Roraima sofre com escassez de mão de obra no comércio a exemplo que acontece em todo o Brasil, aponta CNC

A ausência de profissionais no mercado também se reflete em nível nacional segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio divulgado essa semana

Por Jacildo Bezerra

Foto: Fecomércio RR

A atividade comercial brasileira segue criando empregos em ritmo consistente, mas enfrenta um gargalo na contratação de profissionais para funções específicas. De acordo com levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 57% das principais ocupações do comércio apresentaram indícios de escassez de mão de obra em julho de 2025 – a maior incidência desde 2020.

Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o setor abriu 321,5 mil vagas formais, saldo positivo de admissões sobre desligamentos. No entanto, a CNC estima que seria necessária a criação de 110 mil postos adicionais para neutralizar a pressão sobre os salários e equilibrar a relação entre oferta e demanda de trabalhadores.

Em Roraima, de acordo com o Assessor Econômico da Fecomércio/RR, Fábio Martinez, de fato existe uma escassez de mão de obra, a exemplo do cenário em nível nacional, em especial nos segmentos de comércio de serviços. Ele observou que tanto nos níveis mais básicos quanto nos mais especializados os empresários estão sempre atrás de funcionários para aumentar os seus quadros. “Mais de 70% dos empresários mostram uma disposição em aumentar o número de colaboradores mas que esbarram na quantidade da mão de obra disponível”, disse Martinez.

Fábio Martinez, Assessor Econômico da Federação do Comércio do Estado de Roraima

Ele adiantou que Roraima possui uma peculiaridade que acaba por diminuir um pouco essa escassez; uma delas é questão da taxa de desemprego que é um pouco mais elevada que a média nacional, havendo mais pessoas em busca de emprego no mercado, e o segundo fato é a imigração venezuelana que acaba colocando mais pessoas disponíveis para contratação. “O que a gente observa é que tanto na parte do comércio como no setor de serviços [existem] vários trabalhadores imigrantes, o que acaba suprindo parte da demanda que Roraima tem por mão de obra”, conclui.

A falta de mão de obra contrasta com o crescimento da economia de Roraima no período de 2024/2025. No ano passado o segmento que mais cresceu, em termo proporcionais foi o da Construção, com aumento de 12,74%, seguido dos Serviços, com 10,42% e Indústria, com 9,32%, que são os setores que mais demandam mão de obra hoje em Roraima.

Em 2025, dados do Ministério do Trabalho e Emprego obtidos por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pela Federação do Comércio do Estado de Roraima no início de agosto mostram que Roraima registrou a criação de 2.611 novos postos de trabalho no primeiro semestre deste ano.

Comparando com o mesmo período do ano passado, houve uma queda de 31% no saldo de empregos deste ano, sendo o menor resultado para o primeiro semestre desde 2020. 70% destes novos empregos neste primeiro semestre do ano se concentraram no setor de comércio e serviços, apresentando um saldo somado de 1.844 novos empregos.

A realidade do Brasil

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o cenário reforça a importância da qualificação profissional. “O comércio brasileiro está diante de uma transformação profunda. Investir na formação e na atualização dos trabalhadores, como o trabalho que o Senac realiza há 79 anos, por exemplo, é fundamental para que o setor continue crescendo de forma sustentável e garantindo oportunidades em novas áreas de atuação”, destaca o presidente.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC/IBGE), a taxa de desemprego recuou para 5,8% no 2º trimestre de 2025, menor nível desde o início da série histórica. O crescimento da ocupação vem sendo impulsionado principalmente pelos serviços (+6,4% em transporte, armazenagem e correio) e pelo comércio (+1,4%).

Apesar disso, empresas do varejo relatam dificuldades crescentes para contratar profissionais em determinadas funções, o que tem levado a aumentos salariais acima da média. Entre julho de 2024 e julho de 2025, 75% das ocupações do comércio registraram avanço do salário de admissão acima dos 5,3% da média do mercado formal.

“O comércio tem se mostrado um dos setores mais dinâmicos na geração de empregos, mas a escassez de profissionais em áreas específicas, como logística e estocagem, evidencia um descompasso entre oferta de mão de obra e as novas demandas do setor. Esse é um desafio estrutural que tende a se acentuar com a expansão do e-commerce”, avalia Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.

Acesse o estudo completo aqui.

Desafio estrutural

A CNC calcula que, a cada aumento de 1 ponto percentual na ocupação do comércio, o salário médio de admissão tende a cair 0,44 ponto percentual. No entanto, com a atual escassez, a pressão salarial permanece elevada, criando desafios adicionais para empresas que buscam expandir suas operações. Além de funções administrativas, como assistente de escritório (6,7 mil vagas) e assistente administrativo (5,2 mil vagas), a lista de ocupações críticas inclui armazenistas (4,7 mil vagas), almoxarifes (4,5 mil) e ajudantes de motorista (3,8 mil).

Com informações da Confederação Nacional do Comércio

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