Linhão de Tucurui  vai baratear conta de energia para o consumidor final em Roraima

Por Jacildo Bezerra

Um dos projetos mais significativos e fundamentais para a infraestrutura energética do Brasil irá reduzir o valor da conta de luz para o consumidor final. Com cerca de 724 km de comprimento, essa linha incluirá a construção de 1.390 torres e três subestações (SE Lechuga, SE Equador e SE Boa Vista), atravessando nove municípios nos estados do Amazonas e Roraima.

Esse empreendimento representa um marco para o sistema de transmissão do país, uma vez que Roraima era, até a semana passada, o único estado fora do Sistema Interligado Nacional (SIN). Além de conectar o estado à rede elétrica nacional, a obra proporcionará a implantação, operação e manutenção da linha de transmissão, mas, sobretudo, promoverá a inclusão energética, favorecendo o desenvolvimento socioeconômico tanto local quanto nacional.

A linha de transmissão possui um circuito duplo com três condutores por fase, totalizando 13.218 km e pesando 17.600 toneladas, distribuídas em 6.695 bobinas. São aproximadamente 1.390 torres metálicas treliçadas, do tipo autoportantes e estaiadas, projetadas para que os cabos fiquem acima da copa das árvores, evitando a necessidade de desmatamento.

A linha foi energizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última quarta-feira (10), conectando Manaus (AM) a Boa Vista (RR) com energia gerada na Hidrelétrica de Tucuruí, no estado do Pará. De acordo com estimativas do governo, a economia pode alcançar R$ 500 milhões anualmente.

A Linha de Transmissão Manaus – Boa Vista completa o mapa energético do Brasil, com a integração de Roraima, o último estado da Federação que estava isolado. Para isso, foram investidos R$ 3,3 bilhões em aproximadamente 725 km de extensão, em circuito duplo de 500 quilovolts (kV), desde a Subestação Eng. Lechuga, no Amazonas, à Subestação Boa Vista, na capital de Roraima, com uma seccionadora (ponto de apoio intermediário) em Rorainópolis.

Na oportunidade, o presidente Lula lembrou que, desde o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff, o objetivo era concluir a interligação do sistema. “Acho que este sistema interligado seja, possivelmente, modelo para o mundo. Poucos países têm o sistema interligado como nós temos”, declarou.

“Junto com a energia de qualidade, Roraima vai ter internet de qualidade, a chamada banda larga que todo mundo fala, que é uma internet mais rápida. Vai ter em qualquer lugar. Qualquer jovem de Roraima vai ter o mesmo acesso à internet que as pessoas têm em Paris, Londres, São Paulo e Rio de Janeiro. Estamos orgulhosos de estarmos aqui hoje no ONS para dizer que Roraima está ligado ao restante do Brasil, não existe mais diferença. Essa energia e a internet vão chegar até os indígenas, porque não queremos ninguém fora”, disse Lula.

“Roraima tem uma possibilidade extraordinária de comércio exterior com Suriname, Guiana, Trinidad Tobago e Caribe. Significa que o começo do funcionamento deste linhão vai permitir que Roraima tenha três vezes mais energia do que precisa hoje”, acrescentou Lula.

Isso se deve ao fato de que o valor será reduzido na Conta de Consumo de Combustíveis, paga como um encargo, que era dividido entre todos os brasileiros devido à geração de energia por termelétricas em Roraima. Essa cobrança era utilizada para subsidiar esses sistemas isolados de geração de energia. Além disso, também se espera uma redução de mais de 1 milhão de toneladas de CO₂ por ano.

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