Programa Mais Inovação e Plano Brasil Soberano disponibilizam recursos para modernização tecnológica e enfrentamento das barreiras comerciais dos EUA

Duas novas linhas de crédito do governo federal voltadas para a indústria e para os exportadores foram apresentadas na sexta-feira (5/9), durante webinar promovido pela Fiesp. São elas: Programa Mais Inovação – Crédito 4.0 e Plano Brasil Soberano.
O Mais Inovação, operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), disponibiliza financiamentos e instrumentos de apoio para empresas investirem em inovação e digitalização, em áreas estratégicas definidas pelo programa federal Nova Indústria Brasil (NIB). Com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), as linhas oferecem juros subsidiados, prazos estendidos e carência facilitada.
Os projetos devem estar alinhados às missões da NIB, como agroindústria sustentável e segurança alimentar; complexo econômico e industrial da saúde; infraestrutura, mobilidade e saneamento; transformação digital; bioeconomia e transição energética; além de tecnologias críticas para soberania e segurança. O objetivo é fortalecer a competitividade da indústria nacional por meio de pesquisa, inovação e plantas pioneiras.
No âmbito do Mais Inovação, o governo lançou uma linha de crédito de R$ 12 bilhões para a Indústria 4.0, destinada à modernização de fábricas e aumento da produtividade. A Finep direcionará R$ 2 bilhões para a linha “Difusão Tecnológica”, voltada à aquisição de máquinas e equipamentos com tecnologias como inteligência artificial, internet das coisas e robótica, com foco nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Já o BNDES disponibilizará R$ 10 bilhões para financiar a modernização industrial em todo o país, também priorizando tecnologias digitais avançadas.
O Plano Brasil Soberano, lançado em agosto, reúne medidas para mitigar os impactos econômicos da elevação unilateral de até 50% nas tarifas de importação sobre produtos brasileiros por parte dos Estados Unidos. As ações buscam proteger exportadores, preservar empregos, incentivar investimentos em setores estratégicos e assegurar o desenvolvimento econômico nacional.
Segundo José Luiz Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, as linhas de crédito podem ser complementares. “São taxas de juros diferenciadas e incentivadas para apoiar o setor industrial”, afirmou.
Guilherme Melo, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, reforçou que o governo articula diversas iniciativas integradas. “O objetivo é fortalecer o setor industrial, que foi o mais afetado pela tarifação, promovendo inovação, estabilidade, exportações e maior produtividade”, destacou.
Na mesma linha, João Pieroni, superintendente do BNDES, lembrou que a indústria brasileira enfrenta sérios entraves. “Nosso parque industrial tem, em média, 14 anos. Quase 40% das máquinas já estão próximas ou além do ciclo de vida útil. Isso aumenta custos de manutenção, consumo de energia e prejudica a competitividade. É exatamente nesse ponto que o Crédito 4.0 vai atuar”, explicou.
Para Sylvio Gomide, presidente do Conselho Superior da Micro, Pequena e Média Indústria (Compi) da Fiesp, os programas representam oportunidades valiosas. “Essa é uma pauta essencial para a Fiesp e para o empreendedor. Em um momento tão desafiador, linhas de crédito como essas oferecem alternativas reais para apoiar a indústria”, ressaltou.
Fonte: Lúcia Rodrigues – FIESP













