Por Jacildo Bezerra

No encalço da investida tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump contra países e blocos comerciais mundo a fora, especialistas tem levantado a possibilidade da ambição dos EUA sobre as terras raras de determinadas regiões. Na guera entre potências, os minérios ali encontrados poderiam ser usados como moeda de troca para superar crises.
Mas o que são essas terras raras e por que são tão cobiçadas?? Os minerais terras raras são considerados todos aqueles que possuem utilidade como matéria prima para a indústria produzir uma série de materiais distintos, sendo compostos por cerca de 17 diferentes elementos químicos que fazem parte da família dos lantanídeos, adicionando também o ítrio e o escândio.
Segundo matéria publicada no Jornal da USP, atualmente, estima-se que a China é o pais com as maiores reservas de terras raras comprovadas, compondo 44 milhões de toneladas. O Brasil é o segundo colocado, com 22 milhões, junto com o Vietnã. Já a Rússia é a quarta, com 12 milhões e a Indía a quinta, com 6,9 milhões de toneladas. Todos esses dados são do Serviço Geológico Americano (USGS) de 2018.

No Brasil, esses minerais são encontrados em areias monaziticas do litoral e em jazidas próximas a eventos onde havia anteriormente atividade magnmática, como Araxá e Poços de Caldas em Minas Gerais, Catalão, em Goiás e Pitinga, no Amazonas. Segundo o professor Fernando Landgraf, da Escola Politécnica (Poli) da USP, é provável que as reservas sejam muito maiores do que as estimadas atualmente, especialmente na Amazônia.
No entanto, seu mercado é pequeno, movimento poucos bilhões de dólares anualmente, mas eles são indispensáveis, principalmente para a produção de carros elétricos e também para produtos de alta tecnologia, sendo cada vez mais estratégicos para o futuro. Das seis ocorrências registradas em Minas Gerais, três são em carbonatito, uma em um complexo alcalino com carbonatito subordinado, outra em um complexo alcalino e uma última em um placer de um rio.
Abaixo você pode conferir um mapa com a imagem dos depósitos e ocorrências de ETRs no mundo, de acordo com a sua origem. Para saber mais sobre este e outros temas, visite nosso blog e leia os conteúdos no nosso site, além disso, siga a Geoscan nas principais redes sociais, como Instagram e Linkedin.
Saiba mais no video a seguir:
Importância Geopolítica
A relevância geopolítica das terras raras aumentou significativamente nas últimas décadas. Atualmente, esses recursos são considerados estratégicos, comparáveis ao petróleo no século XX. O controle da cadeia de produção de terras raras confere vantagens econômicas e políticas, uma vez que esses materiais são cruciais para diversas indústrias. Portanto, países como EUA, China e membros da União Europeia estão investindo substancialmente em sua exploração e reciclagem.
A China, que controla entre 60% e 70% da produção global de terras raras, domina mais de 85% do refino mundial. Essa posição proporciona ao país uma vantagem estratégica considerável, pois:
- Exporta para o mundo todo, incluindo nações rivais como EUA, Japão e Europa.
- Já restringiu exportações por motivos políticos (ex: disputa com o Japão em 2010).
- Pode utilizar as terras raras como ferramenta de pressão diplomática ou econômica.
Esses materiais são essenciais para o desenvolvimento de mísseis guiados, satélites, drones e sistemas de comunicação e inteligência. Assim, nenhuma potência militar deseja depender de um país rival para obtê-los.
Transição Energética
A transição energética, que envolve a mudança de uma matriz baseada em combustíveis fósseis para fontes renováveis, depende fortemente das terras raras. Elas são fundamentais para diversas tecnologias verdes.
A descarbonização da economia, que inclui carros elétricos e energia solar/eólica, requer grandes quantidades de terras raras. O controle da produção oferece:
- Vantagem tecnológica
- Domínio sobre cadeias produtivas sustentáveis
- Atração de indústrias de alto valor agregado
Assim, as terras raras se tornam centrais na competição pela liderança na economia verde. Garantir acesso seguro e sustentável a esses elementos se tornou uma prioridade nacional para vários países, configurando-se como uma chave geopolítica na nova economia limpa.
Video: FIEMG













