Mecanismo de financiamento climático é apresentado na fiesp 

Por Jacildo Bezerra

Ferramenta criada pelo governo paulista vai conectar recursos privados a projetos ambientais para restaurar 1,5 milhão de hectares até 2050, com foco em descarbonização e desenvolvimento sustentável 

Reunião Conjunta do Conselho Superior de Desenvolvimento Sustentável – CONDES e do Departamento de Desenvolvimento Sustentável – DDS Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), Natália Resende, foi a convidada da reunião conjunta do Conselho Superior de Desenvolvimento Sustentável (Condes) e do Departamento de Desenvolvimento Sustentável (DDS), ambos da Fiesp, na sexta-feira (8/8). Na ocasião, ela apresentou o Finaclima-SP, mecanismo criado pelo governo estadual para fomentar a captação de recursos privados para projetos ambientais e de combate às mudanças climáticas que está entrando em operação. 

Desenvolvido como uma ferramenta estratégica para viabilizar ações de mitigação e adaptação aos efeitos do aquecimento global, o Finaclima-SP funcionará como ponte entre investidores e projetos ambientais prioritários, promovendo maior escala, agilidade e segurança nos financiamentos. 

Segundo Natália, a proposta é alcançar, até 2050, a restauração de 1,5 milhão de hectares com vegetação nativa e sistemas produtivos biodiversos, como parte do compromisso de São Paulo com a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e a promoção de um modelo econômico de baixo carbono. 

“O Finaclima-SP é um mecanismo financeiro inovador, projetado para permitir a implementação ágil e eficaz de projetos em larga escala. Ele utilizará recursos privados, sob a gestão de uma entidade especializada, garantindo um modelo de governança eficiente e alinhado aos planos climáticos e às melhores práticas do mercado”, afirmou a secretária. 

De acordo com ela, a iniciativa será conduzida sob a orientação de um Conselho de Orientação paritário, com representantes do setor público e da sociedade civil, responsável por definir as diretrizes estratégicas e assegurar a transparência, rastreabilidade e impacto dos investimentos. 

Natália destacou ainda que o Finaclima busca se integrar aos instrumentos já existentes na política climática do estado, como o Plano Estadual de Ação Climática (PEMC), e que os investidores poderão contar com critérios claros, segurança jurídica e alinhamento com compromissos internacionais. 

O presidente do Condes, Joaquim Levy, elogiou a iniciativa e contextualizou com os avanços recentes no cenário nacional. Ele citou o segundo leilão do programa federal Eco Invest, realizado em 7 de agosto, que garantiu R$ 16,5 bilhões em recursos públicos para projetos sustentáveis. Esse valor será complementado por R$ 13,7 bilhões em capital privado, totalizando R$ 30,2 bilhões destinados, majoritariamente, à recuperação de pastagens degradadas em 1,4 milhão de hectares. 

“Recuperação de pastagens é um tema muito importante. Os recursos serão aplicados na restauração produtiva de uma área expressiva. Ouvir o que o estado de São Paulo está propondo em termos de financiamento climático é exatamente o que o Brasil precisa neste momento”, afirmou Levy. 

Para o diretor-titular do DDS, Nelson Pereira dos Reis, o Finaclima é uma iniciativa estratégica para viabilizar a transição ecológica e promover a descarbonização da economia paulista. “É importante ter instrumentos financeiros que estimulem investimentos sustentáveis em larga escala, articulando setor público, privado e sociedade”, finalizou. 

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