Indicador da FGV mostra desaceleração nas vendas do varejo e alerta para instabilidade global 

Por Jacildo Bezerra

O Centro de Excelência em Varejo da FGV EAESP, em parceria com a FFC-MDS Serviços Financeiros, apresenta a quarta edição do Indicador de Tendência de Consumo e Varejo (ITCVcev). Esta análise, referente a junho de 2025, oferece uma leitura estratégica do desempenho recente do varejo brasileiro e traça projeções para os próximos 18 meses. 

O relatório destaca o impacto da safra recorde do setor agropecuário sobre o crescimento do PIB no primeiro trimestre e a desaceleração gradual da economia. Com base nos dados da PNAD e da PMC-IBGE, a pesquisa mostra que, apesar do bom ritmo inicial do ano, já há indícios de perda de fôlego nas vendas do comércio varejista. 

Além do cenário doméstico, o estudo analisa os efeitos da instabilidade internacional, incluindo os riscos políticos e fiscais nos Estados Unidos, que aumentam a volatilidade econômica global. 

Segundo o estudo, em termos das projeções econômicas da FGV, houve ligeira alteração em relação àquelas de nosso relatório anteiror, neste caso, para baixo; o cenário base não se alterou tanto: a economia caminha em um bom ritmo no início do ano, em boa parte graças ao resultado do agronegócio, mas já mostra os esperados sinais de arrefecimento frente ao ritmo do final do ano passado.

As forças e interesses dissonantes se manterão firmes no eterno teatro brasiliense, onde se finge uma correria desenfreada para nunca se sair do mesmo lugar. Haddad buscará entregar em 2025 e 2026, tão somente o limite inferior da meta fiscal, o déficit de 0,25% do PIB. Com um fiscal frouxo no quarto de ponto percentual do PIB, não dá para dizer que a política fiscal deixa de ser expansionista. Daí surge, um outro problema conhecido de nós brasileiros, qual seja, a grande descoordenação entre a política fiscal e monetária.

Com uma política fiscal pouco comedida, a política monetária deveras restritiva da atualidade perde em grande medida sua força, gerando importantes 2 Em relação ao dilema fiscal e seu conflito distributivo, vide artigo de Carlos Andreazza, Fanfarrões, Estadão, 14 de junho de 2025. efeitos colaterais: primeiramente, tem sido incapaz de trazer as expectativas inflacionárias para sua meta3; segundo, é incapaz de estabilizar a dívida pública e, por último, não menos importante, gera um efeito desastroso e assimétrico aos balanços patrimoniais das empresas: um elevado montante de despesas financeiras, anulando grande parte da margem operacional das mesmas.

Para o varejo, um dos setores mais competitivos da economia onde as margens operacionais já são bastante reduzidas, esse efeito é bastante deletério. Enfim, um ambiente econômico conhecido de nós, brasileiros, há muito e sempre discutido em nossas edições anteriores. Tudo somado, nossa agropecuária apresentou mais um excelente primeiro trimestre, em 2025, o que contribuirá para um nível de atividade em ritmo superior a 2% também neste ano.

Em relação aos outros indicadores econômicos, há um mix de tendências: a taxa de desemprego voltou a cair, o nível de confiança do consumidor continuou a minguar, ritmo de crescimento da renda também caiu frente às projeções do relatório passado, a inadimplência da carteira de crédito subiu, bem como o custo do crédito (recursos livres) e o nível de endividamento das famílias

Fonte: FGV

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