Planejamento prévio, monitoramento de preços e atenção às armadilhas de parcelamento garantem compras seguras e sem dívidas posteriores
Com a chegada de mais uma edição da Black Friday, o comércio se prepara para movimentar bilhões e atrair consumidores em busca de oportunidades para adquirir itens desejados e antecipar as compras de fim de ano. No entanto, em meio a apelos visuais ostensivos e ofertas relâmpago, o risco de cair em falsos descontos ou em um ciclo de endividamento exige atenção redobrada.
Em um cenário econômico em que grande parte das famílias brasileiras lida com o orçamento apertado, o consumo consciente torna-se a principal estratégia para transformar as ofertas em economia real.
O perigo dos preços maquiados e fraudes digitais
Uma das práticas mais comuns e danosas na época da Black Friday é a alteração artificial de preços nos dias que antecedem a data. Algumas lojas elevam os valores praticados para, no dia do evento, aplicar reduções fictícias que simulam grandes promoções.
“O consumidor precisa monitorar o histórico de preços com semanas de antecedência. Sem esse registro prévio, fica muito difícil distinguir uma oportunidade real de um desconto maquiado”, alerta Alan Sales da Fonseca, economista e CFO do Grupo Universitário Integrado, do Paraná.

Além da maquiagem de preços, o volume de fraudes virtuais cresce substancialmente no período. Links de redes sociais, e-mails promocionais e mensagens de texto que oferecem produtos muito abaixo do valor de mercado costumam ser portas de entrada para sites clonados e roubo de dados financeiros.
O impacto psicológico e o parcelamento
A sensação de urgência provocada pelas ofertas com tempo limitado favorece as compras por impulso, ativando gatilhos emocionais que atropelam a análise financeira racional.
Outro ponto de atenção é a ilusão provocada pelo parcelamento. O foco excessivo no valor de cada prestação, em detrimento do custo total da mercadoria somado ao frete, frequentemente leva o consumidor a comprometer a renda de vários meses à frente sem perceber a dimensão do gasto.
“O crédito deve ser uma ferramenta de apoio para bens de maior valor, desde que devidamente planejado. Ele nunca deve ser utilizado para custear despesas correntes do dia a dia ou consumos supérfluos sem controle”, pontua Fonseca.
Prioridade para quem tem dívidas

Para quem já possui débitos pendentes — sobretudo aqueles atrelados a taxas de juros elevadas, como o cartão de crédito e o cheque especial —, o especialista reforça que a Black Friday não deve ser vista como momento de compras.
A prioridade absoluta deve ser a renegociação e quitação de compromissos anteriores. O uso de canais oficiais e feirões de negociação permite obter abatimentos significativos em juros e encargos, limpando o nome e restaurando a saúde financeira antes de assumir novos compromissos de consumo.






