Região Norte do país concentrou mais de 526 mil empresas inadimplentes em agosto de 2026

Região Norte do país concentrou mais de 526 mil empresas inadimplentes em agosto de 2026

Região somou cerca de R$ 11,3 bilhões em dívidas negativadas; Pará liderou em número de CNPJs no vermelho

Em agosto, a região Norte registrou 526.055 empresas inadimplentes, segundo dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil. Ao todo, foram contabilizadas 3.288.453 dívidas negativadas, que somaram cerca de R$ 11,3 bilhões no período.

Entre os estados, o Pará concentrou o maior número de empresas negativadas, com 186.928 CNPJs inadimplentes, seguido por Amazonas (152.130) e Tocantins (78.256). Em termos financeiros, Rondônia registrou a maior dívida média por empresa da região (R$ 25.611,29), enquanto o Acre apresentou o maior ticket médio (R$ 3.964,82).

Cenário nacional

Na visão nacional, o número de empresas inadimplentes no Brasil cresceu em agosto de 2026 e chegou a 9,3 milhões de CNPJs, representando uma alta de 14,3% em comparação com o mesmo período em 2025. No período, o total de dívidas inadimplidas chegou a 68,2 milhões, somando R$ 244,4 bilhões. Em média, cada empresa no vermelho acumulou 7,4 contas negativadas, com dívida média de R$ 26.355,13 por CNPJ e ticket médio de R$ 3.583,96. Confira o detalhamento completo no gráfico abaixo:

Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a continuidade dos recordes mostra que os cortes realizados na taxa básica de juros ainda não foram suficientes para mudar a dinâmica financeira das empresas. “A inadimplência empresarial cresce em ritmo menor, mas ainda muito elevado: a variação anual recuou de 28,7% para 14,3%, permanecendo em dois dígitos. Ao mesmo tempo, o número de empresas inadimplentes alcançou o recorde de 9,3 milhões, evidenciando que a redução dos juros ainda não alterou as condições financeiras enfrentadas pelas empresas. O crédito continua caro, o caixa permanece pressionado e o ambiente segue especialmente restritivo para os negócios de menor porte”, explica.

“Mesmo com a Selic ainda em patamar elevado, a demanda das empresas por crédito cresceu 11,2% no acumulado em 12 meses. Ao mesmo tempo, as concessões de capital de giro de curto prazo avançaram 113,9%, indicando que o crédito tem sido utilizado como instrumento de sustentação da liquidez empresarial. Em um contexto de inadimplência recorde, esse movimento parece estar mais associado à necessidade de financiar o caixa e manter a operação do que à redução do endividamento ou à expansão dos negócios”, completa a economista.

Serviços concentraram 56,0% das empresas inadimplentes

Do total de empresas que estavam negativadas em agosto, 56,0% pertenciam ao setor de “Serviços”. Na sequência apareceram aquelas do “Comércio” (32,0%), “Indústria” (8,0%) e setor “Primário” (0,9%). Outros segmentos representaram 3,1% do total. Confira o detalhamento na tabela abaixo:

Origem das dívidas inadimplidas

Em relação à origem das dívidas, o dado explora a distribuição das 68 milhões de dívidas negativadas na base da Serasa Experian, “Serviços” tem a maior participação (31,7%), seguido por “Bancos/Cartões” (19,7%). Na sequência apareceram “Cooperativas” (8,5%), “Utilities” (6,7%) e “Telefonia” (6,2%). As instituições financeiras, considerando “Bancos/Cartões” e “Financeiras”, concentraram 24,4% das pendências, enquanto 75,6% estavam fora desse grupo. Confira o detalhamento no gráfico mais abaixo:

“Mais de três quartos dos registros de dívidas negativadas estão relacionados a setores não financeiros. O dado não representa a participação desses setores no valor total das dívidas, mas mostra que as pendências das empresas estão distribuídas entre diferentes tipos de credores. Em um ambiente de menor dinamismo econômico, administrar múltiplos compromissos e preservar o fluxo de caixa torna-se ainda mais desafiador, especialmente para empresas que já acumulam diferentes pendências”, explica a economista-chefe da datatech.

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