Jacildo Bezerra – Da Redação
O custo de vida do trabalhador roraimense deu um alívio no bolso durante o mês de agosto de 2026. Impulsionada por uma forte queda no preço do tomate, a cesta básica de alimentos em Boa Vista registrou um recuo de -3,90%, passando de R$ 643,71 em julho para R$ 618,61 em agosto. Na prática, a redução representa uma economia direta de R$ 25,10 no orçamento alimentar mensal das famílias da capital.
Os dados pertencem à Pesquisa Mensal da Cesta Básica de Boa Vista, estudo elaborado pelo Governo de Roraima, por meio da Secretaria de Planejamento e Orçamento (SEPLAN/RR) e da Coordenação-Geral de Estudos Econômicos e Sociais (CGEES). O levantamento, adaptado aos parâmetros das regiões Norte e Nordeste previstos pelo Decreto-Lei nº 399/1938, monitora mensalmente 66 estabelecimentos comerciais distribuídos em 57 bairros (divididos em 8 zonas territoriais).
O “efeito tomate” e os vetores de preço
O grande protagonista da queda no mês foi o tomate, que despencou -18,49% (uma diminuição de R$ 19,06 no custo do item dentro do kit mensal). O movimento consolida uma trajetória de retração iniciada em julho (-22,0%). Segundo análises de mercado (CEAGESP), o avanço das colheitas no centro-sul do país — impulsionado pelo clima seco que reduziu perdas no campo — ampliou a oferta no mercado atacadista nacional, refletindo diretamente em Roraima, estado dependente do abastecimento externo.
Com o tombo recente, o preço do tomate zerou a forte disparada do primeiro semestre: se em junho o acumulado do ano atingia alta expressiva de +56,21%, em agosto o item fechou 0,74% abaixo do nível verificado em janeiro.
Apesar da queda do vilão dos meses anteriores, o custo geral dos alimentos ainda não voltou totalmente ao patamar do início do ano. O Índice de Preços da Cesta Básica de Boa Vista (IPCB-BV) fechou agosto em 102,56 pontos, indicando que a cesta continua 2,56% mais cara em relação a janeiro de 2026.
Dispersão e “garimpo” nos Supermercados
O relatório da SEPLAN alerta para uma expressiva diferença de preços praticados entre os 66 pontos de venda da capital. A carne, por exemplo, registrou o valor mínimo de R$ 34,00 e o máximo de R$ 64,99 pelo quilo — uma variação impressionante de R$ 30,99 entre estabelecimentos.
Diferenças acentuadas também foram identificadas na manteiga (variação de R$ 22,00 por pote de 500g), café (variação de R$ 11,20 por pacote de 250g) e no próprio tomate (variação de R$ 10,04 pelo quilo, oscilando entre R$ 5,95 e R$ 15,99). Fatores como logística, capacidade de estoque, concorrência local e estratégias de margem comercial explicam essa disparidade, exigindo pesquisa do consumidor.
O alívio trazido no mês de agosto sinaliza uma importante descompressão no orçamento básico das famílias boavistenses. A coleta contínua da SEPLAN/CGEES busca fornecer um diagnóstico preciso para auxiliar o planejamento financeiro do trabalhador de Roraima, além de balizar a formulação de políticas públicas do Governo do Estado focadas na segurança alimentar e no abastecimento regional.














